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Salvar Vidas com Cordas nos Pecadores de Porto Covo

Antes de existirem equipas de salvamento, botes rápidos ou comunicações por rádio, em Porto Covo havia apenas homens, cordas e coragem. Quando um barco ficava encalhado nas rochas, não havia tempo para pensar muito.


Alguém gritava. Outros corriam. As cordas apareciam quase por instinto.


Formavam-se cadeias humanas na arriba, pés enterrados na terra, mãos presas umas às outras. Uma ponta da corda seguia para o mar, lançada contra o vento e a espuma. Do outro lado, alguém tinha de a agarrar.


Nem sempre dava. Mas muitas vezes deu.

Homens foram puxados assim, um a um, feridos, enregelados, mas vivos. Alguns chegavam inconscientes, outros agarravam-se à vida com uma força que só quem esteve perto da morte conhece.


Não havia heróis individuais. Ninguém ficava para contar como fez. No dia seguinte, voltava-se ao trabalho como se nada tivesse acontecido. O mar continuava ali, igual a si mesmo.


As cordas eram guardadas com cuidado. Não eram apenas ferramentas. Eram memória de dias em que a vila se uniu para não deixar ninguém para trás.

Ainda hoje, há quem diga:“Se não fossem aquelas mãos, eu não estava cá.”

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