Salvar Vidas com Cordas nos Pecadores de Porto Covo
- @lugardeportocovo
- 13 de dez. de 2025
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Antes de existirem equipas de salvamento, botes rápidos ou comunicações por rádio, em Porto Covo havia apenas homens, cordas e coragem. Quando um barco ficava encalhado nas rochas, não havia tempo para pensar muito.
Alguém gritava. Outros corriam. As cordas apareciam quase por instinto.
Formavam-se cadeias humanas na arriba, pés enterrados na terra, mãos presas umas às outras. Uma ponta da corda seguia para o mar, lançada contra o vento e a espuma. Do outro lado, alguém tinha de a agarrar.
Nem sempre dava. Mas muitas vezes deu.
Homens foram puxados assim, um a um, feridos, enregelados, mas vivos. Alguns chegavam inconscientes, outros agarravam-se à vida com uma força que só quem esteve perto da morte conhece.
Não havia heróis individuais. Ninguém ficava para contar como fez. No dia seguinte, voltava-se ao trabalho como se nada tivesse acontecido. O mar continuava ali, igual a si mesmo.
As cordas eram guardadas com cuidado. Não eram apenas ferramentas. Eram memória de dias em que a vila se uniu para não deixar ninguém para trás.
Ainda hoje, há quem diga:“Se não fossem aquelas mãos, eu não estava cá.”




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