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O Mar de Porto Covo Não Esquece

  • @lugardeportocovo
  • 13 de dez. de 2025
  • 1 min de leitura


Em Porto Covo, o mar nunca foi apenas horizonte. Foi memória. Foi trabalho. Foi ausência. Foi regresso. Tudo o que aqui se viveu passou, de alguma forma, por ele.


O mar guarda nomes que já ninguém escreve. Guarda barcos que não voltaram, vozes que se perderam no vento, gestos repetidos durante gerações. Quem nasceu aqui aprende cedo que o mar não precisa de lembrar em voz alta. Lembra à sua maneira.

Há dias em que está liso, quase imóvel. Noutros, levanta-se sem aviso. Não é castigo nem recompensa. É apenas mar - igual ao de sempre.


Os mais velhos dizem que ele reconhece quem o respeita. Que muda de humor conforme quem o olha. Que nunca esquece uma mão que lhe pertenceu, nem um corpo que ali ficou.


As histórias continuam a ser contadas. Nos cafés, nos muros, à sombra das casas brancas. Algumas são antigas, outras mais recentes. Todas fazem parte do mesmo fio.


Porto Covo mudou, sim. As casas mudaram, as ruas mudaram, as pessoas mudaram. Mas o mar ficou. E enquanto ficar, continuará a devolver memórias a quem souber escutar.


Porque aqui, no fim de tudo, há uma certeza antiga:o mar pode levar muito — mas não esquece nada.

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