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Casas Vendidas, Vidas Mudadas

  • @lugardeportocovo
  • 13 de dez. de 2025
  • 1 min de leitura

Quando Porto Covo começou a mudar, não foi de um dia para o outro. Primeiro vieram os curiosos. Depois, os veraneantes. Mais tarde, chegaram os compradores. Casas antigas, herdadas de pais e avós, passaram a ter preço.


Para muitas famílias, vender não foi escolha — foi necessidade. O dinheiro fazia falta, os filhos já tinham partido, a manutenção era pesada. Assinava-se o papel com a sensação estranha de estar a fechar uma porta que sempre esteve aberta.


Alguns ficaram. Outros mudaram-se para fora da vila. Houve quem fosse para Sines, quem fosse mais longe. A casa vendida continuava ali, mas já não era casa. Era alojamento, investimento, silêncio fora de época.


As ruas mudaram de ritmo. O inverno ficou mais vazio. As vozes conhecidas começaram a faltar. Onde antes havia janelas sempre abertas, passou a haver portadas fechadas durante meses.


Nem tudo foi mau. Houve obras, recuperação, nova vida. Porto Covo ganhou atenção, ganhou futuro económico. Mas perdeu algo difícil de medir: continuidade.


Hoje, quem passa vê uma vila bonita, cuidada, procurada. Quem ficou vê ausências. Vê casas onde já não sabe quem vive. Vê histórias interrompidas.


E diz, baixinho:“A vila está viva… mas já não é só nossa.”

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