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PORTO COVO ANTES DOS POSTAIS

  • @lugardeportocovo
  • 13 de dez. de 2025
  • 1 min de leitura


Antes de ser fotografado, o porto de Porto Covo era usado. Não era cenário, era ferramenta. Não cheirava a protetor solar nem a férias - cheirava a peixe, a gasóleo, a algas secas ao sol.

As redes estavam espalhadas pelo chão, remendadas ali mesmo, com mãos rápidas e conversas curtas. Os barcos tinham a pintura gasta, nomes desbotados, histórias riscadas no casco. Cada um trazia marcas de encalhes, de tempestades, de regressos difíceis.

O silêncio bonito de hoje não existia. Havia barulho de motores, gritos de aviso, caixas arrastadas pelo chão, gargalhadas curtas no meio do cansaço. O porto acordava cedo e só acalmava quando o dia já ia longo.

Quem vinha de fora achava feio. Quem era de cá chamava-lhe vida.

Não havia bancos para sentar turistas, nem caminhos arranjados. Havia trabalho. Havia urgência. Havia dias bons e dias em que o peixe não aparecia, mas o esforço era o mesmo.

Com o tempo, o porto mudou. Limpou-se, endireitou-se, ficou bonito. Ganhou postais, perdeu algumas marcas. Ganhou visitantes, perdeu algum ruído.

Mas quem olha com atenção ainda vê o que ficou. Um gancho velho, uma argola gasta, uma pedra marcada por cordas. Pequenos sinais de quando o porto não era imagem - era necessidade.

E isso, para quem sabe, ainda se sente.

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