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A Campanha que Nunca Acabou em porto covo

  • @lugardeportocovo
  • 13 de dez. de 2025
  • 1 min de leitura

Durante décadas, homens de Porto Covo partiram para campanhas longas de pesca do atum. Não eram viagens de dias. Eram meses no mar, longe da costa, longe da família, longe de tudo o que fosse terra firme.

A partida era sempre cedo. Poucas palavras, um abraço rápido, olhos que evitavam promessas. Sabia-se quando se ia, mas nunca se tinha a certeza de quando — ou como — se voltava.

No mar, o trabalho era duro e repetitivo. Sol forte, noites mal dormidas, corpos cansados. Havia dias bons, em que o peixe aparecia, e dias em que o mar parecia vazio e infinito. Muitos homens envelheceram ali, mesmo sendo ainda novos.

Alguns regressaram diferentes. Mais calados. Outros trouxeram doenças, dores que nunca passaram, silêncios que se instalaram nas mesas de jantar. Houve quem nunca mais conseguisse ficar muito tempo em terra, como se o corpo só reconhecesse o balanço do barco. Ç

E houve os que não regressaram de todo.

As famílias receberam notícias secas, por vezes tardias. O luto fazia-se sem corpo, sem despedida. O mar ficava com eles, como sempre fez.

Chamavam-lhe campanha. Mas para muitos, aquilo nunca acabou. Porque mesmo em terra, o mar continuava dentro deles. Nos sonhos, no olhar, no modo de estar em silêncio.

Ainda hoje, há quem diga em Porto Covo:“Ele foi para a campanha… e nunca mais voltou por inteiro.”

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